7.13.2012

Byroniano


That man of loneliness and mystery, 
Scarce seen to smile, and seldom heard to sigh —

and 

He knew himself a villain — but he deem'd 
The rest no better than the thing he seem'd; 
And scorn'd the best as hypocrites who hid 
Those deeds the bolder spirit plainly did. 
He knew himself detested, but he knew 
The hearts that loath'd him, crouch'd and dreaded too. 
Lone, wild, and strange, he stood alike exempt 
From all affection and from all contempt

Fragmento extraído do poema The Corsair escrito por Lord Byron em 1814.

7.12.2012

Quero o amor que mata



O silêncio inicial de Petite Mort é perturbador. O mesmo frio na barriga que antecede o sexo. Testosterona enche o ar, seis homens e seus pontiagudos floretes cortam furiosamente o vazio e enchem-no de som. Mozart surge com seu Piano Concerto. Tensão, tesão. Seis bailarinas começam a corte. Magia, pas de deux, violência, sexualidade, perigo, ternura, todas as cores e nuances dos sentimentos ecoam no tablado. Roxo. Morre aos poucos quem vive. Porém, morrem rápido e voltam à vida aos poucos aqueles que gozam.

   

Petite Mort é uma peça coreografada pelo grande mestre Jiří Kylián em 1991 para a celebração em Salzburg do centenário da morte de Mozart.

6.26.2012

Onipresente

Eu sou assim, onipresente. Estou em todos os lugares, Death Star, Turquia. Sou Darth Vader ou Kadir Çermik. Consigo ser todos e ninguém. Não sou...



6.21.2012

Midsommar

Chegou o feriado mais esperado do ano. Nesta sexta-feira, até domingo, o país celebra o verão.

6.06.2012

Gilgamesh

Buscava sinais em tudo. Rezas, benções, promessas e penitências. Buscava que alguém lhe desse rumo. Buscava direção ou qualquer desculpa para continuar seguindo. Queria não questionar, queria apenas seguir. Aceitar quem era e o que tinha. Queria não pensar sobre coisas. Nunca pensar sobre o que perdeu e jamais sonhar com futuros impossíveis. Não queria ser responsável por coisas ou pessoas. Suas coisas, alguém que as assumisse. Sua culpa, deixou de ser dele. Passou para alguém. Sua glória, era de outrem. Sua certeza, vazio. Buscava um profeta, uma voz, um guia, uma mentira. Queria qualquer fé que lhe acalmasse o sangue e matasse todas vontades represadas por anos. Leu o horóscopo com a esperança de achar alguma resposta, amarrou os sapatos, colocou a velha mascara e partiu. Desta vez trancou a porta que sempre deixou aberta para o acaso. Trancou junto um leão, para por ele ser devorado dia e noite.

5.15.2012

Quem muito quer nada tem

Queria escrever sobre a felicidade, sobre sentimentos bons e coisas bobas. Amenidades do dia-a-dia, brincadeiras de crianças, placar do jogo e todas as outras coisas que passam batidas no correr das horas. Queria falar de amores, nunca de suas dores. Queria cantarolar nas ruas, beber com amigos, sonhar colorido, comer pipoca de arroz e tomar muito soverte. Queria comer besteiras, brigadeiros e todo chocolate do mundo. Queria nadar pelado, correr no mato e escalar montanhas. Queria abrir o peito, coçar o saco e não pensar mal de ninguém. Queira falar menos e escrever mais. Queria ajudar os outros. Queria fazer caridade, sorrir sempre e não ouvir fofocas. Queria não dever dinheiro, muito menos obrigação.  Queira saber perdoar. Queira ser menos rígido, especialmente consigo mesmo. Queria escrever sobre as plantas, colher flores e ter um cachorro ao lado. Queria não perder tempo. Queria gritar ao mundo palavras de incentivo, instigar carinhos nos outros e curar soluços. Ele, queria tudo que não fosse o agora. Queria o futuro e palavras de três letras. 

5.08.2012

And we'll run for our lives

Abriu os olhos. A claridade o cegava e o corpo coberto de orvalho pesava sobre o gramado verde. Levantou-se e começou a correr. Corria com a mesma intensidade com que correu no dia anterior. Corria com a mesma vontade com que correu todos os dias até hoje. Corria até desmaiar. Apagar, acordar e correr até novamente desvanecer. Não tinha escolha, tinha que correr. Corria por sua vida.

 

5.07.2012

O mesmo eu


I make the same mistakes, feels like I never learn, always give way too much for little in return. I haven’t changed a bit, I’m still not over it, I make the same mistakes.

3.09.2012

For the kill...


Um feito, outro por vir. Terminei, briguei, matei e defendi meu doutorado na Unicamp. Uma tese em haiku. "Diferenças & Inter-relações: avaliação da sustentabilidade na gestão das cadeias de oferta de bioenergia". Finito!

3.08.2012

Laços de família

Por dentro era prosa solta e toda idéia por ele grafada sua prisão doméstica. Nos textos o seu cotidiano. Suas palavras davam forma e corpo aos pesadelos de vidas convencionais e estereotipadas que o cercavam. Vida que seguia se repetindo de geração para geração, submetendo-se as consciências e as vontades, por vezes divinas e muitas outras nem tanto. A letra era dissecação da sua condição de classe média decrescente. Válvula de escape para sua visão, desencantada e descrente dos liames familiares. Nele os “des-laços” de convenção e união familiar. Não lhe faltava amor e interesse. Pelo contrário, amava seu sangue e carne como ninguém. Era um deles e para todo sempre continuaria a ser, apenas o que crescia nele minavam a força do querer ficar. Antagônico. No fim restou-lhe: amor, uma galinha, e feliz aniversário.


Foto de casamento dos meus avós em 11 de maio de 1956.

2.25.2012

A terceira margem do rio

Pierre et Gilles

Flutuava. Descia livre o rio largo da vida. Nem sempre senhor das velas e ventos navegava por entre correntezas e outros percalços. O rio de tão largo nunca lhe mostrou as margens. Nunca viu nada de um lado, nem do outro. Água e vastidão eram constância, nunca chão. No coração a certeza de que terra lá existia, mesmo que fosse a terra escura e fria do fundo. Por vezes pensou que iria naufragar e por muitas outras que iria com o barco junto afundar. Imergir, descer ao fundo e lá ficar. Âncora.

2.15.2012

A chegada


Cheguei. Andei por ruas novas e muitas outras antigas. Rostos novos, cheiros da velha paulista e um mundo completamente diferente do que eu deixei. Na mala coelhos, vontades e ansiedade. Venho um, voltarei outro.

8.18.2011

Vero, verdade. Veríssimo


TU e EU

Somos diferentes, tu e eu.
Tens forma e graça
e a sabedoria de só saber crescer
até dar pé.
E não sei onde quero chegar
e só sirvo para uma coisa
- que não sei qual é!
És de outra pipa
e eu de um cripto.
Tulipa
Eucalipto.

Gostas de um som tempestade
roque lenha
muito heavy
Prefiro o barroco italiano
e dos alemães
o mais leve.
És vidrada no Lobão
eu sou mais albônico.
Tufão.
Eufônico.

És suculenta
e selvagem
como uma fruta do trópico
Eu já sequei
e me resignei
como um socialista utópico.
Tu não tens nada de mim
eu não tenho nada teu.
Tupiniquim.
Europeu.

Gostas daquelas festas
que começam mal e terminam pior.
Gosto de graves rituais
em que sou pertinente
e, ao mesmo tempo, o prior.
Tu és um corpo e eu um vulto,
és uma miss, eu um místico.
Tumulto.
Eucarístico.

És colorida,
um pouco aérea,
e só pensas em ti.
Sou meio cinzento,
algo rasteiro,
e só penso em Pi.
Somos cada um de um pano
uma sã e o outro insano.
Tucano.
Euclidiano.

Dizes na cara
o que te vem a cabeça
com coragem e ânimo.
Hesito entre duas palavras,
escolho uma terceira
e no fim digo o sinônimo.
Tu não temes o engano
enquanto eu cismo.
Tutano.
Eufemismo.

7.26.2011

Aperte os cintos


Nesta tarefa tenho que apresentar e descrever um restaurante e uma atração ou passeio na cidade onde vivo. Atualmente, moro em Estocolmo e escolhi o Café Muggen e o Djurgården. A regra é simples e cada texto deve ser formatado do seguinte modo: nome do local ou denominação, no caso de um passeio, endereço ou referência geográfica, informações de serviço tais como horário de funcionamento, valor de entrada etc., apresentar descrição do local, e comentário pessoal do viajante. Aperte os cintos querido leitor amigo e leia o que enviei.


RESTAURANTE

Café Muggen, é popular porque está sempre cheio ou está sempre cheio porque é popular? Talvez seja por cauda da sua localização na rua mais hip da cidade ou por ser freqüentado por gente bonita. Seja qual for a razão, Muggen pode ser considerado um dos lugares mais populares de Estocolmo. A decoração alegre e moderna dispõe de confortáveis sofás. Suas grandes janelas voltadas para rua são o lugar perfeito para apreciar um bom café ou uma refeição ligeira. Suas saladas são um destaque e os preços variam entre 90 a 100 coroas suecas. Muggen é sem dúvida um lugar para ser visitado caso queira ter um gostinho do dia-a-dia dos nativos. O serviço é excelente e as pessoas são amigáveis. No entanto, usar o banheiro é sempre um teste de resistência. Há apenas um e tanto homens como mulheres enfrentam a fila disfarçando o aperto. Bem, ninguém pode dizer que Muggen não é um lugar igualitário. Como chegar: Götgatan 24 e aberto todos os dias, das 8-23h. Como pagar: cartões de crédito e dinheiro.

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ATRAÇÃO

Kungliga Djurgården ou Parque Real de Caça fica localizado em uma das 14 ilhas que formam a capital sueca e é uma atração com muitas outras dentro dele. O parque é lar de edifícios e monumentos históricos, cafés, museus e galerias. Nele ainda estão Gröna Lund, o principal parque de diversões do país, e Skansen ou museu ao ar livre. Djurgården é para Estocolmo o que o Central Park é para Nova Iorque, uma das áreas de lazer favoritas para quem vive na cidade e destino turístico certo para quem a visita. O melhor de tudo, ele nunca fecha e é uma atração gratuita. Vale a pena planejar um convescote, como diria minha avó, ou para os mais modernos, piquenique em suas extensas florestas e prados. Existem três maneiras para chegar até lá, a primeira é andando pela orla da cidade, as outras são por meio do bonde em Sergelstorg, praça localizada na estação central do metrô ou por barco a partir de Nybroplan, Skeppsholmen ou Slussen.

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7.25.2011

Segunda fase

Passei para a próxima fase do processo seletivo travel-writer de O Viajante. Duas novas tarefas foram solicitas. Em uma delas foi pedido para o concorrente escolher seis fotos de viagem à Europa. Para cada foto um tema. As fotos devem contemplar os seguintes temas: cidade, natureza, detalhe, pessoas, você inserido em alguma paisagem, você em primeiro plano. Aqui estão, querido leitor amigo, as fotos enviadas por mim. Cruzem os dedos, pois a sorte foi lançada.


Cidade: Fota da ilha de Södermalm vista do Stadshuset em Estocolmo, Suécia.


Natureza: Vista da Floresta Negra perto de Freiburg na Alemanha.


Detalhe: Vista do Sol da Meia Noite no alto da montanha Fagernes em Narvik, Noruega.


Pessoas: Minha amiga Myrtha e a tratadora brincando com lobos no Polar Zoo em Bardu, Noruega.


Eu inserido numa paisagem: Eu no topo da montanha Fagernes esperando o tempo passar para ver o sol da meia-noite.


Eu em primeiro plano: Foto tirada durante o passeio de barco pelo Ofoten Fjord na Noruega

7.22.2011

O som do buraco


Tenho saudade de coisas. Hoje, tenho saudades de sons. Sinto falta da chuva, daquela da minha terra. Por aqui onde estou, ela não existe. Nesta cá falta-lhe o volume, a luz, a tromba d-água. Falta-lhe o barulho. Sinto falta do trovão, da onda de choque resultada pelo aquecimento instantâneo do ar. Falta cá os ruídos e o céu cortado por raios. Hoje não tenho mais a certeza de ver o céu atravessado por um raio. Nem ser – ele, o raio – seguido por uma trovoada. A tempestade daqui já deixou os céus e habita meu peito. Dentro de mim vivem sentimentos numa trovoada. Deles geram-se descargas elétricas para equilibrar a diferença de potencial entre o topo dos meus sonhos – cargas positivas –, a realidade do dia-a-dia – cargas negativas – e do chão duro que piso. No fim resta o ribombar do meu trovão sempre seguido pelo eco dos meus fracassos.

7.21.2011

Uma câmera na mão, uma idéia na cabeça e pouco tempo em Zagreb

Querido leitor amigo, entrei em um concurso para escrever sobre viagens. O engraçado é pensar que tenho tempo para acumular mais trabalho do que já tenho. Fiz a inscrição e recebi um email pedindo para escrever um texto curto apresentando algo inusitado. A deadline é hoje, sentei faz pouco tempo para cumprir a empreitada e o resultado - já enviado - segue abaixo para o seu crivo.


O que você faria se tivesse apenas um dia para conhecer Zagreb? A coisa certa para resolver esta questão e saber por onde começar. Supondo que a maioria dos visitantes à Croácia chegam de avião, que tal aproveitar o aeroporto e seus arredores? O aeroporto Zagreb tem dois bons cafés com mesas ao ar livre, raridade em um aeroporto! Outra surpresa é a existência de um parque atravessando a rua. Quer coisa mais incomum para começar a sua visita? Para ir do aeroporto até a cidade você pode optar entre um táxi ou um serviço de shuttle. O último é o meio mais barato e o valor da passagem entre o aeroporto e Zagreb custa por volta de 30 kunas. A Kuna é a moeda oficial da Croácia. Chegando na cidade, você vai descobrir que andar por Zagreb é voltar no tempo. A cidade foi centro cosmopolita do Império Habsburgo e sua arquitetura neo-clássica do século 19 domina a paisagem urbana do centro. Se eu fosse você e tivesse apenas um dia em Zagreb, iria passear por suas ruas. Uma das minhas coisas favoritas é tirar fotos das fachadas nos edifícios que por algum motivo estranho são frequentemente pintados em um tom amarelado. Alguns deles estão em decadência óbvia, mas nem por isso perdem o encanto e, em nome da liberdade artística, ficam ainda melhores para criar fotos mais interessantes. Prepare sua mochila, pegue sua câmera e venha conhecer o topázio da Croácia.

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7.06.2011

O caçula


Queridos leitores amigos, criei um novo blog. Não, não vou deixar o meu veneno de lado. Porém, resolvi devolver a sociedade algo de bom. Brincadeira! Na verdade estou fazendo um guia com os endereços de lugares que eu gosto de frequentar. O começo do blog é recheado com o meu dia-a-dia em Estocolmo e dou dicas de locais onde encontrar boa comida e diversão. Porém, não vou ficar por aqui. Vou documentar todos os locais por onde eu passar de agora em diante. Aproveitem o Hithhicker's Guide To Gluttony.

6.25.2011

Eu azul por você vermelho



"era grande, o que o permitia estar sempre em mais de um lugar ao mesmo tempo. talvez pudesse aproveitar, mas o fato é que tal característica mais o incomodava do que trazia benefícios. era abastado de sentimentos diversos e tinha grande dificuldade em fazer escolhas, uma vez que possuía todas elas dentro de si. era sempre visto como um afortunado ou um covarde, quando na verdade não era nem um nem outro. ocupava o mundo todo, conhecia os sete lados e perdia-se irreversivelmente na imensidão de possibilidades. esforçava-se como podia para satisfazer-se em meio a toda sorte de ofertas que lhe chegavam sem que houvesse pedido. ser grande era assim: de um lado dormia, de outro acordava. sonhava com o paraíso. queria ser mágico e saber mentir, porém vivia todo o tempo num presente feito de passado que nem chegava a conhecer, pois, quase sempre, chegava com algum atraso em seu próprio outro lado. perdia muito tempo tentando entender-se e encontrar uma maneira mais igual de ser. era delicado demais para lidar com questões tão urgentes e simultâneas. por ser azul algumas vezes misturava-se ao céu e passava um tempo por lá, camuflado, na busca de um descanso passageiro. sentia uma inveja triste dos seres minúsculos e aparentemente insignificantes. o que complicava era que sabia de sua própria insignificância, não se sentia útil e muito menos um herói como fazia acreditar seu tamanho terrível. é claro que pensava na morte como solução imediata, mas a realidade é que lhe faltava coragem para o fim. era um gigante sem finalidade. nada cabia nem servia, embora parecesse o contrário. tudo faltava ou era demais. quando chorava, chovia; portanto tentava controlar emoções extremas, o que, devido à situação, exigia grande esforço e ar puro. conhecia as vantagens, mas, ainda assim, se pudesse escolher, preferia ter uma vida normal e idiota como a da maioria. mas era tarde, já haviam escolhido por ele e era tarde. era amoroso demais pro seu tamanho, não combinava, aliás, nada combinava, porque era, literalmente, feito de vários pedaços e restos e começos e histórias esquecidas ou ainda não contadas. era em si mesmo o seu mapa e sua terra, tinha inferno e céu próprios. só lhe faltava o paraíso." Texto e foto por Ivana Debértolis.

6.24.2011

Verão, eu cego

Os pequenos ódios de cada dia. As pequenas doses de falsidades e todas as desculpas lavadas. Tudo somado às afirmativas faladas no lugar das negativas sentidas. O mundo seria um lugar melhor se fossemos mais burros. Seria melhor, se eu fosse mais burro. Estou cansado desta vida de aceitação, temperança e comedimento. Estou cansado de fazer vontades e abrir mão das minhas. Sou sedento, sempre fui. Desejo tudo sempre, sem mesmo saber o que desejo. Quero de volta o meu excesso. Quero de volta a minha alegria roubada por sua infinita tristeza e egoísmo. Odeio sua imagem no espelho, não me vejo mais nela. Fui inteiro um dia e pelos anos fui quebrando pedaços, presenteando estranhos, dando. Continuo lascando migalhas do resto deixado e depositando ao seus pés frios, altar profano e sem sentido. Vazio, sem fé ou esperança. No fim, ex-votos. O verão chegou por aqui e não renasci. Não vejo a luz.

6.07.2011

A need a pill to easy my will

Para os puristas, Kate Bush e o mais belo dos gritos. Para mim, Placebo e a melancolia em voz. Placebo em todos os sentidos, pois adoro enganar a mim mesmo com promessas, pílulas e outras doces ilusões. Caso contrário viveria correndo para as colinas...



It doesn't hurt me.
You wanna feel how it feels?
You wanna know, know that it doesn't hurt me?
You wanna hear about the deal I'm making?
You be running up that hill
You and me be running up that hill

And if I only could,
Make a deal with God,
And get him to swap our places,
Be running up that road,
Be running up that hill,
Be running up that building.
If I only could, oh...

You don't wanna hurt me,
But see how deep the bullet lies.
Unaware that I'm tearing you asunder.
There's a thunder in our hearts, baby.
So much hate for the ones we love?
Tell me, we both matter, don't we?

You, be running up that hill
You and me, be running up that hill
You and me won't be unhappy.

And if I only could,
Make a deal with God,
And get him to swap our places,
Be running up that road,
Be running up that hill,
Be running up that building,
If I only could, oh...

C'mon, baby, c'mon, c'mon, darling,
Let me steal this moment from you now.
C'mon, angel, c'mon, c'mon, darling,
Let's exchange the experience, oh...

And if I only could,
Make a deal with God,
And get him to swap our places,
Be running up that road,
Be running up that hill,
With no problems [x2]

If I only could, be running up that hill

6.03.2011

A song from when I was a better me...


Fragile
Like a baby in your arms
Be gentle with me
I'd never willingly
Do you harm

Apologies
Are all you seem to get from me
But just like a child
You make me smile
When you care for me
And you know

It's a question of lust
It's a question of trust
It's a question of not letting
What we've built up
Crumble to dust
It is all of these things and more
That keep us together

Independence
Is still important for us though (we realise)
It's easy to make
The stupid mistake
Of letting go (do you know what I mean)

My weaknesses
You know each and every one (it frightens me)
But I need to drink
More than you seem to think
Before I'm anyone's
And you know

It's a question of lust
It's a question of trust
It's a question of not letting
What we've built up
Crumble to dust
It is all of these things and more
That keep us together

Kiss me goodbye
When I'm on my own
But you know that I'd
Rather be home

It's a question of lust

6.01.2011

Oi, pode me ajudar? Mudar para Inovar


Queridos
leitores
amigos, em especial um entre vocês que conhece a língua morta, preciso de ajuda. Estou escrevendo um artigo, no qual eu vejo a promoção da bioenergia no contexto da união européia como um elemento de inovação para a industrial madereira no continente. Agora, qual o motivo que me leva a pedir por socorro? Então, eu como sempre tenho títulos nada convencionais para os meus textos acadêmicos. Por exemplo, na última conferência mundial sobre energia renovável, apresentei um texto sobre a percepção do setor florestal europeu à crescente promoção da bioenergia na região. O título, Is Bioenergy the Big Bad Wolf in the forestry sector? Seguindo esta linha o meu novo título é baseado na expressão supostamente cunhada por Julio César – Veni, Vidi, Vici. No lugar de vim, vi, venci; eu procuro escrever, vim, vi, inovei. Eu sei que não estou criando nada novo. A Apple usou a mesma expressão – vim, vi, codifiquei – no passado e fez até camisetas com Veni, Vidi, Codi para serem distribuídas em uma conferência de produtos eletrônicos. O meu título atual é: Veni, Vidi, Mutavi – Bioenergy promotion as a key element for innovation within the forestry industry. O resumo provisório diz: Bioenergy promotion has arrived to stay in the European Policy Agenda and its perception as a threat or opportunity will play a major role in the development of renewables in the continent. In a likely scenario of competition between bioenergy generation and production of other goods extracted from wood, rivalry between the forest-based biomass uses may lead to an increase in raw material and energy prices and competitiveness reduction of European companies, especially paper & pulp industries. Therefore, wood-based industries in the region will need to expand its infrastructure, markets and overall capacity in order to meet the terms of this new order. This means that innovation is going to be a key component in developing workable and viable production and operating systems using both established and new technologies. Dito tudo isto, o que eu quero é mudar Vim, Vi, Mudei para Vim, Vi, Inovei. Alguém?

5.23.2011

Until We Bleed


Um corte. Único, o primeiro de muitos. Dor não foi repentina, veio lenta e morna. Sangrou. Acostumou-se, voltou a cortar-se. Doeu. Dor cresceu, ganhou todo emanharado sensorial. Ganhou cor, vermelho. Ganhou sentido, chão. Deu rumo em um mundo estreito. Com Machado no coração prisioneiro lembrou-se que “um desvão no telhado é infinito para as andorinhas”. No braço uma. Na sua frente, o mundo estreito que não lhe bastava mais. Daquela hora em diante queria o infinito que o desvão oferecia. Descobriu que sangrar sozinho não era vida. Até ali, nunca havia cicatrizado, nem visto o mar ou estrelas. Nunca sentiu o cheiro do sal, desenhou sereias ou sonhou com monstros. Nada viu, nem flores, nem abelhas ou provou maçãs no escuro da sua vida. Tinha com todas as forças protegido o coração e, no meio deste hercúleo trabalho, perdeu as chaves. Com o desvão na cabeça, todas as palavras e vozes nunca ouvidas preencheram os espaços. Sussurram elas coisas que o quebravam – coração – em mil e um pedaços. De frente ao penhasco aberto em seus pés, pulou. Voou. Fugiu pelo desvão montado na andorinha que um dia em segredo fez morada em seu braço.




"Voltemos à casinha. Não serias capaz de lá entrar hoje, curioso leitor; envelheceu, enegreceu, apodreceu, e o proprietário deitou-a abaixo para substituí-la por outra, três vezes maior, mas juro-te que muito menor que a primeira. O mundo era estreito para Alexandre; um desvão de telhado é o infinito para as andorinhas. Vê agora a neutralidade deste globo, que nos leva, através dos espaços, como uma lancha de náufragos, que vai dar à costa: dorme hoje um casal de virtudes no mesmo espaço de chão que sofreu um casal de pecados. Amanhã pode lá dormir um eclesiástico, depois um assassino, depois um ferreiro, depois um poeta, e todos abençoarão esse canto de Terra, que lhes deu algumas ilusões."

Memórias Póstumas de Brás Cubas por Machado de Assis.

5.19.2011

O mal desconhecido é o ovo...

The City in the Sea by Edgar Allan Poe

Lo! Death has reared himself a throne
In a strange city lying alone
Far down within the dim West,
Where the good and the bad and the worst and the best
Have gone to their eternal rest.
There shrines and palaces and towers
(Time-eaten towers that tremble not!)
Resemble nothing that is ours.
Around, by lifting winds forgot,
Resignedly beneath the sky
The melancholy waters lie.

No rays from the holy heaven come down
On the long night-time of that town;
But light from out the lurid sea
Streams up the turrets silently —
Gleams up the pinnacles far and free —
Up domes — up spires — up kingly halls —
Up fanes — up Babylon-like walls —
Up shadowy long-forgotten bowers
Of sculptured ivy and stone flowers —
Up many and many a marvelous shrine
Whose wreathéd friezes intertwine
The viol, the violet, and the vine.
So blend the turrets and shadows there
That all seem pendulous in the air,
While from a proud tower in the town
Death looks gigantically down.

There open fanes and gaping graves
Yawn level with the luminous waves;
But not the riches there that lie
In each idol's diamond eye —
Not the gaily-jeweled dead
Tempt the waters from their bed;
For no ripples curl, alas!
Along that wilderness of glass —
No swellings tell that winds may be
Upon some far-off happier sea —
No heavings hint that winds have been
On seas less hideously serene.

But lo, a stir is in the air!
The wave — there is a movement there!
As if the towers had thrust aside,
In slightly sinking, the dull tide —
As if their tops had feebly given
A void within the filmy Heaven.
The waves have now a redder glow —
The hours are breathing faint and low —
And when, amid no earthly moans,
Down, down that town shall settle hence,
Hell, rising from a thousand thrones,
Shall do it reverence.

4.21.2011

Qual é a música No.1


Caros leitores amigos, o post de hoje é para dividir a trilha sonora do meu dia-a-dia aqui em Estocolmo. Escolhi onze (sim, onze, porque adoro número primo e ímpar) músicas entre tantas outras que encurtam as distâncias entre minha casa e a universidade, confortam quando sinto saudades e embalam minhas reboladas secretas sozinho no elevador. Trilha sonoras dos meus maiores segredos. A lista de hoje tem dobradinha com Adele:

Dance With Somebody (unplugged) by Mando Diao
Someone Like You by Adele
Daniel by Bat For Lashes
After Hours by We Are Scientists
I’m Into Something Good by The Bird and the Bee
Books From Boxes by Maxïmo Park
Beautiful Song by CSS
A Billion Balconies Facing The Sun by Maniac Street Preachers
Chelsea Dagger by The Fratellis
Record Collection by Mark Ronson & The Business Intl.
Rolling In The Deep by Adele

3.05.2011

Vida torta

Tenho uma relação de cumplicidade entre memória e comida. Sei que não sou o único, muito menos o último ao relatar gostos e doces lembranças. Hoje acordei com sabores da infância na cabeça. Senti o cheiro da pizza de sardinha que estava presente sempre em aniversários, o famoso bolo de abacaxi da minha mãe, o rocambole de chocolate da Ducildes. Este último perdido para sempre. Com a saudade na porta, resolvi assar uma torta de atum. Coisa simples, barata e carregada de pedaços vividos. A receita é fácil. Os ingredientes são 3 ovos, 2 xícaras de leite,1 xícara de óleo, 4 colheres de queijo parmesão, 1 colher de sal, 2½ xícaras de farinha de trigo,1 colher de sopa de fermento em pó e a estrela do dia, 2 latas de atum. Bater no liquidificador ou a mão os ovos, leite, óleo, queijo e acrescente a farinha e o fermento aos poucos. Eu misturei no óleo de canola, azeite. Com atum, juntei cebolas roxas picadas e pedaços de pimentos grelhados e conservados em azeite. Depois, é só colocar metade da massa na forma, cobrir com o recheio de atum - ou outro qualquer que preferir - e por cima, voilá, a outra metade da massa. Levar ao forno até dourar. O resultado está ai na imagem. Em breve, ela também vai virar memória.


Para sobremesa preparei o famoso “Segura Marido” da minha mãe. A receita é mais simples que o da torta de atum. Para os ingredientes 3 ovos, 1 lata de leite condensado, 1 litro de leite, 3 colheres de maizena, ½ fava de baunilha, 6 colheres de açúcar, frutas vermelhas da estação ou congeladas, 4 colheres de suco de laranja ou, se preferir como eu, vinho. Separe as gemas das clara e reserve as últimas. Nas gemas adicione o leite condensado, a fava de baunilha aberta e ¾ do litro de leite. Leve ao fogo, lembre-se de sempre mexer a mistura para não grudar no fundo. No restante do leite, acrescente a maizena e junte-o a panela com a mistura quente aos poucos e sempre mexendo para não encaroçar. Cozinhe até virar um creme, retire a fava de baunilha e coloque o resultado em uma vasilha que possa ir ao forno. Ao mesmo tempo, cozinhe as frutas com o suco/vinho para fazer a calda, não é necessário cozinhar muito. Com a calda, cubra o creme de baunilha. Não use todo o líquido, caso a calda fique muito aguada. Queremos o máximo de polpa e o mínimo de suco. A acidez da calda quebra o doce do creme, perfeito casamento de sabores. Agora chegou a vez das claras reservadas, que devem ser batidas até ficarem em ponto de neve. Acrescente o açúcar e rebata para virar suspiro. Cubra a combinação de creme e calda com o suspiro e coloque no forno (160 graus celsius) até o suspiro dourar e bom proveito querido leitor amigo.


2.13.2011

A lagarta


Abriu os olhos e não viu o sol brilhando em um céu azul. Vestiu-se e saiu. Andou à esmo e não viu crianças brincando, jovens se amando, ou a revolução da vida acontecendo diante dos seus olhos. Optou por não ver. Optou por não lavar o tanque de roupas sujas. Não via roupas para lavar, casa para limpar e também não procurou por nada. Era mais fácil deixar o pior entrar. Sem perceber o tamanho do egoísmo que sua condição era. Impunha sua tristeza. Sua dor era a maior, seus problemas eram os mais difíceis, suas vontades prioridades. Voltou para o seu casulo e optou por nunca virar crisálida. Crescer não era uma opção ou vontade. Nunca teve a obrigação de ser feliz, mas tinha o dever de lutar para estar vivo. Para quem assistia a tragédia, que era fruto da desistência, uma palavra: Preguiça.

2.05.2011

Luta de espadas


Palavra escrita, palavra pensada. Verbo. Palavra de longe que conforta a alma, alimenta vontades e desperta desejos. O poder contido em letras me encanta. Sou seduzido por ele e seu desencadear de turbilhões, sejam idéias ou ações. Escrever me alivia o corpo, descarrega o peso do dia. Ler, alimenta o espírito e põe gosto na boca. Hoje, agora ontem, o dia foi coroado com palavras, vontades, dragões e espadas.

1.05.2011

La sorte mia spietata

Madrugada em Estocolmo, neve lá fora e Bajazet em meus ouvidos. O ano novo começou lento. Veio abrindo espaço e continua crescendo. Como todo início deveria vir limpo. Porém, diferentemente da regra, este vem de cicatrizes. Do velho ele nasceu e nele ficaram marcas bem-vindas, outras nem tanto e algumas poderiam nunca terem acontecido. Nasceu velho, cheio de memória. Muitas delas incompletas, escritos sem letras, idéias sem formas, sentidos não provados, sentimentos não vividos. Meus fantasmas. Como conseguir seguir com tantas âncoras? Força? Fé? Cegueira branca. La sorte mia spietata.


Retrato de Andy Warhol por Richard Avedon.
Divido o meu amor por suas fotos juntamente com Ivana.

12.20.2010

Derezzed



Hoje é dia de levar os sobrinhos para assistir Tron Legacy 3D. Virou tradição de natal, ano passado Avatar e este ano Tron. Eu os levo ao cinema, compro todos as guloseímas que quiserem e voltamos todos para casa com o estômago doendo de tanto comer tranqueira e dor de cabeça por causa dos óculos 3D. Delightful. Tudo pela família e tradição.

Na na na naaaaaaaa

12.19.2010

D'outros

Para outros, se fez numa colcha de retalhos. Pedaços costurados, colagem de restos, amontoado de sentimentos, sobras de coisas e muitas idéias desperdiçadas. Fez-se misto de armadura e prisão. Busca caber em si, mas não cabe. Não encaixa, escorre e escapa. Não consegue ser entre outros. Está entre outros, porém existe em outro lugar. Noutro lugar é completo, não é mais pedaços, nem sobras. É apenas sentimento e sonhos. Nada lhe segura ou controla. Flui. Neste lugar descostura cada alinhavo que um dia o prendeu à existência d’outros.


Berlinde de Bruyckere (via Saatchi Gallery)

What kind of Economist are you?


"Arti" minha e idéia roubada daqui. E ai caro leitor amigo, qual é o seu tipo?

Na pesquisa de doutorado pela Unicamp eu digo que no mercado de hoje, o uso estratégico da cadeia de oferta está restrito à eficiência e/ou eficácia dos custos e na excelência em atendimento a clientes em busca do lucro e da vantagem competitiva. Logo, a pesquisa busca melhorar o uso estratégico destas cadeias, em particular, a utilização do conceito de Ecologia Industrial, na busca pela sustentabilidade socioambiental do processo de produção e consumo. O objetivo geral é investigar a integração entre o conceito Ecologia Industrial e a gestão estratégica das cadeias de oferta, uma vez que a sustentabilidade do desenvolvimento consiste em encontrar meios de produção, distribuição e consumo dos recursos existentes de forma mais coesiva, economicamente efetiva, ecologicamente viável, socialmente justa e territorialmente planejada. Deste primeiro doutorado, surgiu a idéia de colocar a teoria explorada na Unicamp em um caso prático. De lá vim parar aqui na Suécia e no Instituto Real de Tecnologia vou por para rodar o que criei no Brasil. Assim, minha pesquisa por aqui neste segundo doutorado virou Sustainable supply chains for bioenergy systems: In today’s market, the strategic use of energy flow management is restricted to cost effectiveness and excellence in customer service in pursuit of profit and competitive advantage. This research project seeks to improve the strategic use of these supply chains, in particular the use of the concept of sustainable supply chain management in order to reinforce the sustainability aspects of forest-based systems and to guarantee their multiple services in promoting sustainable development. Aqui sigo KeynesianDO o dia.

12.14.2010

Meu, meu, meu....todo meu! Meu CASCO

Sim, eu tenho comprei casco. Tenho orgulho do meu casco, apesar dele ainda não ter chegado por estas bandas congeladas da Suécia. Por falar em frio, o inverno ainda não chegou e as temperaturas estão cada vez mais baixas. A cidade toda branca, o cinza na cara dos moradores e os atrasos do metro. A diferença no humor é gritante. No verão, todo muito rindo à toa. Amigavéis na rua e no entra e sai do transporte público. Nestes dias escuros e gelados todos dão coices, mas agora eu tenho casco para me alegrar.
Indulgência em forma de sustentabilidade e estilo. Para comprar o seu iPhone case da CASCO feito à mão com bambu é só clicar aqui querido leitor amigo. Salve a responsabilidade estendida do produtor!

12.13.2010

Matemática e brioches...


Finalmente minha proposta de pesquisa foi aceita pela universidade e estarei registrado no meu segundo doutorado em janeiro. Novo ano, novo país, nova pesquisa. Para comemorar decidi fazer pela primeira vez brioches. Todos que me conhecem de perto sabem da minha fixação por essa delícia resultada da química entre ovos, farinha e manteiga. A receita é simples. Precisa de boa vontade, ingredientes, conhecimento básico em matemática e muque. Nada que vocês queridos leitores amigos não tenham à disposição. A fórmula matemática está aqui para 1kg de farinha, no mais é brincar com as proporções.

Brioche = 100% de farinha + 12 ovos + 60% de manteiga +
15% de açúcar + 2% de sal + 3,5% de fermento biológico

A brincadeira começa juntando todos os ingredientes em uma vasilha grande e funda. Misture-os até formar uma massa homogênea, lisa e que não grude nos dedos. Está é a fase que precisa de muque. Bata a massa sem dó, assim a manteiga se dissolve na bela massa. Cubra a vasilha com um pano úmido para não ressecar e deixe descansar por 20 minutos. Em seguida, rebata a massa por 5 minutos, desta vez abrindo, dobrando, abrindo novamente e redobrando. Faça uma bela trança e deixe-a descansar novamente. Desta vez na geladeira por 2 a 6 horas para que a manteiga contida na massa endureça. Retire do refrigerador, passe ovos batidos na massa e ela está pronta para assar. Eu deixei por 20 minutos em 180 graus Celsius. Aproveitem.

10.16.2010

Ambições

Tive a ambição de ir tomar o melhor café do mundo ao lado da melhor conversa e não fui. Tive a ambição de ir além e desisti. A covardia fez morada em mim por algum tempo. Chegou, sentou e fez-se rainha. Deu ordens, escreveu listas de obrigações, preparou cronogramas, sentou e esperou. Eu, prisioneiro em jaula de vidro vendo a vida passar em retratos e ambições não realizadas. De repente, do nada a covardia fez as malas e foi embora. Deixou nenhuma roupa no armário, nenhum bilhete de despedida, apenas o gosto amargo de promessas não cumpridas na boca. Hoje, sem covardia por perto, sou o Leão em busca de coragem. Depois, tenho que achar um cérebro, pois coração nunca perdi. A única tristeza, a menina de sapatos de rubi está longe daqui apresentando aos estranhos palmeiras.


O Ruby Sneakers foi roubado daqui. Vale muito a pena ver as fotos do PuglyFeet.

9.26.2010

9.18.2010

Florence + The Vacuum Cleaner


Dia de limpeza no meu apartamento em Estocolmo e divido com vocês queridos leitores amigos a trilha sonora do meu Dia de Maria.

9.05.2010

New beginning


Estou de volta ao meu caminho. Voltei para Estocolmo, me registrei na universidade, comecei minhas aulas, dei os meus primeiros passos por aqui. Ainda têm muitas coisas para seguir, conquistar, fazer e conhecer. O melhor de tudo é que não estou sozinho. Nunca estive sozinho, tenho muitos ao meu lado e sou muitos por dentro. Pedaços aqui e acolá. Sou um quebra-cabeças gigantes, um amontoado de peças de Lego soltas no mundo. O frio aumenta, o escuro chegando como sinal do longo e novo inverno. Porém, pela primeira vez não tenho medo da escuridão e agradeço a sua chegada. Välkommen till min värld.


 

8.25.2010

Essa tal sustentabilidade No.1

Com que roupa...


"Dentro de um caixote ou dentro de um móvel de ébano precioso vou pôr a guardar as vestes da minha vida. As roupas azuis. E depois as vermelhas, as mais belas de todas. E a seguir as amarelas. E por fim de novo as azuis, mas muito mais desbotadas estas últimas do que as primeiras.Vou guardá-las devotamente e com muita tristeza. Quando vestir as roupas negras e quando morar dentro de uma casa negra, dentro de um quarto escuro, abrirei de vez em quando o móvel com alegria, com desejo e com desespero. Verei as roupas e lembrar-me-ei da grande festa - que será nesse momento de todo finda. De todo finda. Os móveis espalhados desordenadamente dentro das salas. Pratos e copos partidos no chão. Todas as velas gastas até ao fim. Todo o vinho bebido. Todos os convidados idos. Cansados alguns estarão completamente sozinhos, como eu, dentro de casas escuras - outros mais cansados terão ido dormir."

As palavras foram roubadas de Konstandinos Kavafis e escritas em Vestes. A imagem é de Leonilson, o maior em dizer em cores as verdades da minha cabeça do meu coração.

8.10.2010

Quero o amor que mata

"O PERIGO: minha intenção real é prosperar no que me é alheio, até que tudo se transforme num grande absurdo, numa história que perde seu começo e termina mal. o que realmente me interessa pode ser considerado capricho e vaidade sem futuro. admito que só mesmo o que não presta me tráz sentimentos vitais e calores que perduram por dias, alimentando vontades esburacadas. tenho me repetido, há muito tempo tenho me repetido, seja por palavras ou atos indisfarçáveis. mas preciso continuar, mesmo que o assunto seja o mesmo. os caminhos errados e efêmeros são os únicos capazes de aliviar meu cansaço eterno e triste. perdi uma parte importante no que diz respeito ao entendimento comum do que é nobre e certo. sou leal comigo, assumo máculas e pedaços perdidos que não fiz e nem faço questão de resgatar. quero o que se estraga e não dura, mas também desejo o interminável e para sempre. têm momentos em que penso que a calma e a estabilidade poderiam me preparar melhor e me trazer algum conforto. mas logo lembro que minhas escolhas deficientes são meu único privilégio numa vida que considero tola. pode soar como desespero, mas é só honestidade e insatisfação. não vou me reconhecer em nenhum outro caminho, mesmo este sendo o melhor pra quem me assiste e se lamenta por amor. o amor entrou em mim pela porta dos fundos e se alojou em meio a sujeira e a beleza que inventei existir. não vou tentar outras vias nem fabricar razões que não sejam as minhas próprias. sou amoral em relação aos sentimentos. amo, me sujo, odeio, me arrependo, amo de novo e não cumpro minhas promessas. não vou cumprir, mesmo que continue prometendo, e isto vai acontecer, não cumprirei. estarei sempre indo em direção ao que, em tese, não deveria me servir e que é justamente o que me serve. vou me enforcar para atender expectativas e depois vou viver de novo. existir não é justo. é mesmo muito perigoso ser feliz."

Palavras roubadas daqui e belamente escritas por Ivana Debértolis que é "existencialista com toda razão, só faz o que manda o seu coração..."

A imagem é de David LaChapelle e intitulada Orgy in still Maybach

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