3.08.2012

Laços de família

Por dentro era prosa solta e toda idéia por ele grafada sua prisão doméstica. Nos textos o seu cotidiano. Suas palavras davam forma e corpo aos pesadelos de vidas convencionais e estereotipadas que o cercavam. Vida que seguia se repetindo de geração para geração, submetendo-se as consciências e as vontades, por vezes divinas e muitas outras nem tanto. A letra era dissecação da sua condição de classe média decrescente. Válvula de escape para sua visão, desencantada e descrente dos liames familiares. Nele os “des-laços” de convenção e união familiar. Não lhe faltava amor e interesse. Pelo contrário, amava seu sangue e carne como ninguém. Era um deles e para todo sempre continuaria a ser, apenas o que crescia nele minavam a força do querer ficar. Antagônico. No fim restou-lhe: amor, uma galinha, e feliz aniversário.


Foto de casamento dos meus avós em 11 de maio de 1956.

2 comentários:

Anônimo disse...

Enfim, nestes cansados pensamentos
passo esta vida vã, que sempre dura.
Camões

Anônimo disse...

q bonito...gostei de sobrar uma galinha.

aqui tem mais do mesmo

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