"What lies behind us and what lies ahead of us are tiny matters compared to what lives within us." Henry David Thoreau
10.25.2011
8.18.2011
Vero, verdade. Veríssimo
TU e EU
Somos diferentes, tu e eu.
Tens forma e graça
e a sabedoria de só saber crescer
até dar pé.
E não sei onde quero chegar
e só sirvo para uma coisa
- que não sei qual é!
És de outra pipa
e eu de um cripto.
Tulipa
Eucalipto.
Gostas de um som tempestade
roque lenha
muito heavy
Prefiro o barroco italiano
e dos alemães
o mais leve.
És vidrada no Lobão
eu sou mais albônico.
Tufão.
Eufônico.
És suculenta
e selvagem
como uma fruta do trópico
Eu já sequei
e me resignei
como um socialista utópico.
Tu não tens nada de mim
eu não tenho nada teu.
Tupiniquim.
Europeu.
Gostas daquelas festas
que começam mal e terminam pior.
Gosto de graves rituais
em que sou pertinente
e, ao mesmo tempo, o prior.
Tu és um corpo e eu um vulto,
és uma miss, eu um místico.
Tumulto.
Eucarístico.
És colorida,
um pouco aérea,
e só pensas em ti.
Sou meio cinzento,
algo rasteiro,
e só penso em Pi.
Somos cada um de um pano
uma sã e o outro insano.
Tucano.
Euclidiano.
Dizes na cara
o que te vem a cabeça
com coragem e ânimo.
Hesito entre duas palavras,
escolho uma terceira
e no fim digo o sinônimo.
Tu não temes o engano
enquanto eu cismo.
Tutano.
Eufemismo.
7.27.2011
7.26.2011
Aperte os cintos

Nesta tarefa tenho que apresentar e descrever um restaurante e uma atração ou passeio na cidade onde vivo. Atualmente, moro em Estocolmo e escolhi o Café Muggen e o Djurgården. A regra é simples e cada texto deve ser formatado do seguinte modo: nome do local ou denominação, no caso de um passeio, endereço ou referência geográfica, informações de serviço tais como horário de funcionamento, valor de entrada etc., apresentar descrição do local, e comentário pessoal do viajante. Aperte os cintos querido leitor amigo e leia o que enviei.
RESTAURANTE
Café Muggen, é popular porque está sempre cheio ou está sempre cheio porque é popular? Talvez seja por cauda da sua localização na rua mais hip da cidade ou por ser freqüentado por gente bonita. Seja qual for a razão, Muggen pode ser considerado um dos lugares mais populares de Estocolmo. A decoração alegre e moderna dispõe de confortáveis sofás. Suas grandes janelas voltadas para rua são o lugar perfeito para apreciar um bom café ou uma refeição ligeira. Suas saladas são um destaque e os preços variam entre 90 a 100 coroas suecas. Muggen é sem dúvida um lugar para ser visitado caso queira ter um gostinho do dia-a-dia dos nativos. O serviço é excelente e as pessoas são amigáveis. No entanto, usar o banheiro é sempre um teste de resistência. Há apenas um e tanto homens como mulheres enfrentam a fila disfarçando o aperto. Bem, ninguém pode dizer que Muggen não é um lugar igualitário. Como chegar: Götgatan 24 e aberto todos os dias, das 8-23h. Como pagar: cartões de crédito e dinheiro.
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ATRAÇÃO
Kungliga Djurgården ou Parque Real de Caça fica localizado em uma das 14 ilhas que formam a capital sueca e é uma atração com muitas outras dentro dele. O parque é lar de edifícios e monumentos históricos, cafés, museus e galerias. Nele ainda estão Gröna Lund, o principal parque de diversões do país, e Skansen ou museu ao ar livre. Djurgården é para Estocolmo o que o Central Park é para Nova Iorque, uma das áreas de lazer favoritas para quem vive na cidade e destino turístico certo para quem a visita. O melhor de tudo, ele nunca fecha e é uma atração gratuita. Vale a pena planejar um convescote, como diria minha avó, ou para os mais modernos, piquenique em suas extensas florestas e prados. Existem três maneiras para chegar até lá, a primeira é andando pela orla da cidade, as outras são por meio do bonde em Sergelstorg, praça localizada na estação central do metrô ou por barco a partir de Nybroplan, Skeppsholmen ou Slussen.
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7.25.2011
Segunda fase
Passei para a próxima fase do processo seletivo travel-writer de O Viajante. Duas novas tarefas foram solicitas. Em uma delas foi pedido para o concorrente escolher seis fotos de viagem à Europa. Para cada foto um tema. As fotos devem contemplar os seguintes temas: cidade, natureza, detalhe, pessoas, você inserido em alguma paisagem, você em primeiro plano. Aqui estão, querido leitor amigo, as fotos enviadas por mim. Cruzem os dedos, pois a sorte foi lançada.

Cidade: Fota da ilha de Södermalm vista do Stadshuset em Estocolmo, Suécia.
7.22.2011
O som do buraco

Tenho saudade de coisas. Hoje, tenho saudades de sons. Sinto falta da chuva, daquela da minha terra. Por aqui onde estou, ela não existe. Nesta cá falta-lhe o volume, a luz, a tromba d-água. Falta-lhe o barulho. Sinto falta do trovão, da onda de choque resultada pelo aquecimento instantâneo do ar. Falta cá os ruídos e o céu cortado por raios. Hoje não tenho mais a certeza de ver o céu atravessado por um raio. Nem ser – ele, o raio – seguido por uma trovoada. A tempestade daqui já deixou os céus e habita meu peito. Dentro de mim vivem sentimentos numa trovoada. Deles geram-se descargas elétricas para equilibrar a diferença de potencial entre o topo dos meus sonhos – cargas positivas –, a realidade do dia-a-dia – cargas negativas – e do chão duro que piso. No fim resta o ribombar do meu trovão sempre seguido pelo eco dos meus fracassos.
7.21.2011
Uma câmera na mão, uma idéia na cabeça e pouco tempo em Zagreb
Querido leitor amigo, entrei em um concurso para escrever sobre viagens. O engraçado é pensar que tenho tempo para acumular mais trabalho do que já tenho. Fiz a inscrição e recebi um email pedindo para escrever um texto curto apresentando algo inusitado. A deadline é hoje, sentei faz pouco tempo para cumprir a empreitada e o resultado - já enviado - segue abaixo para o seu crivo.

O que você faria se tivesse apenas um dia para conhecer Zagreb? A coisa certa para resolver esta questão e saber por onde começar. Supondo que a maioria dos visitantes à Croácia chegam de avião, que tal aproveitar o aeroporto e seus arredores? O aeroporto Zagreb tem dois bons cafés com mesas ao ar livre, raridade em um aeroporto! Outra surpresa é a existência de um parque atravessando a rua. Quer coisa mais incomum para começar a sua visita? Para ir do aeroporto até a cidade você pode optar entre um táxi ou um serviço de shuttle. O último é o meio mais barato e o valor da passagem entre o aeroporto e Zagreb custa por volta de 30 kunas. A Kuna é a moeda oficial da Croácia. Chegando na cidade, você vai descobrir que andar por Zagreb é voltar no tempo. A cidade foi centro cosmopolita do Império Habsburgo e sua arquitetura neo-clássica do século 19 domina a paisagem urbana do centro. Se eu fosse você e tivesse apenas um dia em Zagreb, iria passear por suas ruas. Uma das minhas coisas favoritas é tirar fotos das fachadas nos edifícios que por algum motivo estranho são frequentemente pintados em um tom amarelado. Alguns deles estão em decadência óbvia, mas nem por isso perdem o encanto e, em nome da liberdade artística, ficam ainda melhores para criar fotos mais interessantes. Prepare sua mochila, pegue sua câmera e venha conhecer o topázio da Croácia.
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7.06.2011
O caçula

Queridos leitores amigos, criei um novo blog. Não, não vou deixar o meu veneno de lado. Porém, resolvi devolver a sociedade algo de bom. Brincadeira! Na verdade estou fazendo um guia com os endereços de lugares que eu gosto de frequentar. O começo do blog é recheado com o meu dia-a-dia em Estocolmo e dou dicas de locais onde encontrar boa comida e diversão. Porém, não vou ficar por aqui. Vou documentar todos os locais por onde eu passar de agora em diante. Aproveitem o Hithhicker's Guide To Gluttony.
6.28.2011
6.25.2011
Eu azul por você vermelho

"era grande, o que o permitia estar sempre em mais de um lugar ao mesmo tempo. talvez pudesse aproveitar, mas o fato é que tal característica mais o incomodava do que trazia benefícios. era abastado de sentimentos diversos e tinha grande dificuldade em fazer escolhas, uma vez que possuía todas elas dentro de si. era sempre visto como um afortunado ou um covarde, quando na verdade não era nem um nem outro. ocupava o mundo todo, conhecia os sete lados e perdia-se irreversivelmente na imensidão de possibilidades. esforçava-se como podia para satisfazer-se em meio a toda sorte de ofertas que lhe chegavam sem que houvesse pedido. ser grande era assim: de um lado dormia, de outro acordava. sonhava com o paraíso. queria ser mágico e saber mentir, porém vivia todo o tempo num presente feito de passado que nem chegava a conhecer, pois, quase sempre, chegava com algum atraso em seu próprio outro lado. perdia muito tempo tentando entender-se e encontrar uma maneira mais igual de ser. era delicado demais para lidar com questões tão urgentes e simultâneas. por ser azul algumas vezes misturava-se ao céu e passava um tempo por lá, camuflado, na busca de um descanso passageiro. sentia uma inveja triste dos seres minúsculos e aparentemente insignificantes. o que complicava era que sabia de sua própria insignificância, não se sentia útil e muito menos um herói como fazia acreditar seu tamanho terrível. é claro que pensava na morte como solução imediata, mas a realidade é que lhe faltava coragem para o fim. era um gigante sem finalidade. nada cabia nem servia, embora parecesse o contrário. tudo faltava ou era demais. quando chorava, chovia; portanto tentava controlar emoções extremas, o que, devido à situação, exigia grande esforço e ar puro. conhecia as vantagens, mas, ainda assim, se pudesse escolher, preferia ter uma vida normal e idiota como a da maioria. mas era tarde, já haviam escolhido por ele e era tarde. era amoroso demais pro seu tamanho, não combinava, aliás, nada combinava, porque era, literalmente, feito de vários pedaços e restos e começos e histórias esquecidas ou ainda não contadas. era em si mesmo o seu mapa e sua terra, tinha inferno e céu próprios. só lhe faltava o paraíso." Texto e foto por Ivana Debértolis.
6.24.2011
Verão, eu cego
Os pequenos ódios de cada dia. As pequenas doses de falsidades e todas as desculpas lavadas. Tudo somado às afirmativas faladas no lugar das negativas sentidas. O mundo seria um lugar melhor se fossemos mais burros. Seria melhor, se eu fosse mais burro. Estou cansado desta vida de aceitação, temperança e comedimento. Estou cansado de fazer vontades e abrir mão das minhas. Sou sedento, sempre fui. Desejo tudo sempre, sem mesmo saber o que desejo. Quero de volta o meu excesso. Quero de volta a minha alegria roubada por sua infinita tristeza e egoísmo. Odeio sua imagem no espelho, não me vejo mais nela. Fui inteiro um dia e pelos anos fui quebrando pedaços, presenteando estranhos, dando. Continuo lascando migalhas do resto deixado e depositando ao seus pés frios, altar profano e sem sentido. Vazio, sem fé ou esperança. No fim, ex-votos. O verão chegou por aqui e não renasci. Não vejo a luz.
6.17.2011
6.07.2011
A need a pill to easy my will
Para os puristas, Kate Bush e o mais belo dos gritos. Para mim, Placebo e a melancolia em voz. Placebo em todos os sentidos, pois adoro enganar a mim mesmo com promessas, pílulas e outras doces ilusões. Caso contrário viveria correndo para as colinas...
It doesn't hurt me.
You wanna feel how it feels?
You wanna know, know that it doesn't hurt me?
You wanna hear about the deal I'm making?
You be running up that hill
You and me be running up that hill
And if I only could,
Make a deal with God,
And get him to swap our places,
Be running up that road,
Be running up that hill,
Be running up that building.
If I only could, oh...
You don't wanna hurt me,
But see how deep the bullet lies.
Unaware that I'm tearing you asunder.
There's a thunder in our hearts, baby.
So much hate for the ones we love?
Tell me, we both matter, don't we?
You, be running up that hill
You and me, be running up that hill
You and me won't be unhappy.
And if I only could,
Make a deal with God,
And get him to swap our places,
Be running up that road,
Be running up that hill,
Be running up that building,
If I only could, oh...
C'mon, baby, c'mon, c'mon, darling,
Let me steal this moment from you now.
C'mon, angel, c'mon, c'mon, darling,
Let's exchange the experience, oh...
And if I only could,
Make a deal with God,
And get him to swap our places,
Be running up that road,
Be running up that hill,
With no problems [x2]
If I only could, be running up that hill
6.03.2011
A song from when I was a better me...
Fragile
Like a baby in your arms
Be gentle with me
I'd never willingly
Do you harm
Apologies
Are all you seem to get from me
But just like a child
You make me smile
When you care for me
And you know
It's a question of lust
It's a question of trust
It's a question of not letting
What we've built up
Crumble to dust
It is all of these things and more
That keep us together
Independence
Is still important for us though (we realise)
It's easy to make
The stupid mistake
Of letting go (do you know what I mean)
My weaknesses
You know each and every one (it frightens me)
But I need to drink
More than you seem to think
Before I'm anyone's
And you know
It's a question of lust
It's a question of trust
It's a question of not letting
What we've built up
Crumble to dust
It is all of these things and more
That keep us together
Kiss me goodbye
When I'm on my own
But you know that I'd
Rather be home
It's a question of lust
6.01.2011
Oi, pode me ajudar? Mudar para Inovar

Queridos
leitores
amigos, em especial um entre vocês que conhece a língua morta, preciso de ajuda. Estou escrevendo um artigo, no qual eu vejo a promoção da bioenergia no contexto da união européia como um elemento de inovação para a industrial madereira no continente. Agora, qual o motivo que me leva a pedir por socorro? Então, eu como sempre tenho títulos nada convencionais para os meus textos acadêmicos. Por exemplo, na última conferência mundial sobre energia renovável, apresentei um texto sobre a percepção do setor florestal europeu à crescente promoção da bioenergia na região. O título, Is Bioenergy the Big Bad Wolf in the forestry sector? Seguindo esta linha o meu novo título é baseado na expressão supostamente cunhada por Julio César – Veni, Vidi, Vici. No lugar de vim, vi, venci; eu procuro escrever, vim, vi, inovei. Eu sei que não estou criando nada novo. A Apple usou a mesma expressão – vim, vi, codifiquei – no passado e fez até camisetas com Veni, Vidi, Codi para serem distribuídas em uma conferência de produtos eletrônicos. O meu título atual é: Veni, Vidi, Mutavi – Bioenergy promotion as a key element for innovation within the forestry industry. O resumo provisório diz: Bioenergy promotion has arrived to stay in the European Policy Agenda and its perception as a threat or opportunity will play a major role in the development of renewables in the continent. In a likely scenario of competition between bioenergy generation and production of other goods extracted from wood, rivalry between the forest-based biomass uses may lead to an increase in raw material and energy prices and competitiveness reduction of European companies, especially paper & pulp industries. Therefore, wood-based industries in the region will need to expand its infrastructure, markets and overall capacity in order to meet the terms of this new order. This means that innovation is going to be a key component in developing workable and viable production and operating systems using both established and new technologies. Dito tudo isto, o que eu quero é mudar Vim, Vi, Mudei para Vim, Vi, Inovei. Alguém?
leitores
amigos, em especial um entre vocês que conhece a língua morta, preciso de ajuda. Estou escrevendo um artigo, no qual eu vejo a promoção da bioenergia no contexto da união européia como um elemento de inovação para a industrial madereira no continente. Agora, qual o motivo que me leva a pedir por socorro? Então, eu como sempre tenho títulos nada convencionais para os meus textos acadêmicos. Por exemplo, na última conferência mundial sobre energia renovável, apresentei um texto sobre a percepção do setor florestal europeu à crescente promoção da bioenergia na região. O título, Is Bioenergy the Big Bad Wolf in the forestry sector? Seguindo esta linha o meu novo título é baseado na expressão supostamente cunhada por Julio César – Veni, Vidi, Vici. No lugar de vim, vi, venci; eu procuro escrever, vim, vi, inovei. Eu sei que não estou criando nada novo. A Apple usou a mesma expressão – vim, vi, codifiquei – no passado e fez até camisetas com Veni, Vidi, Codi para serem distribuídas em uma conferência de produtos eletrônicos. O meu título atual é: Veni, Vidi, Mutavi – Bioenergy promotion as a key element for innovation within the forestry industry. O resumo provisório diz: Bioenergy promotion has arrived to stay in the European Policy Agenda and its perception as a threat or opportunity will play a major role in the development of renewables in the continent. In a likely scenario of competition between bioenergy generation and production of other goods extracted from wood, rivalry between the forest-based biomass uses may lead to an increase in raw material and energy prices and competitiveness reduction of European companies, especially paper & pulp industries. Therefore, wood-based industries in the region will need to expand its infrastructure, markets and overall capacity in order to meet the terms of this new order. This means that innovation is going to be a key component in developing workable and viable production and operating systems using both established and new technologies. Dito tudo isto, o que eu quero é mudar Vim, Vi, Mudei para Vim, Vi, Inovei. Alguém?
5.23.2011
Until We Bleed

Um corte. Único, o primeiro de muitos. Dor não foi repentina, veio lenta e morna. Sangrou. Acostumou-se, voltou a cortar-se. Doeu. Dor cresceu, ganhou todo emanharado sensorial. Ganhou cor, vermelho. Ganhou sentido, chão. Deu rumo em um mundo estreito. Com Machado no coração prisioneiro lembrou-se que “um desvão no telhado é infinito para as andorinhas”. No braço uma. Na sua frente, o mundo estreito que não lhe bastava mais. Daquela hora em diante queria o infinito que o desvão oferecia. Descobriu que sangrar sozinho não era vida. Até ali, nunca havia cicatrizado, nem visto o mar ou estrelas. Nunca sentiu o cheiro do sal, desenhou sereias ou sonhou com monstros. Nada viu, nem flores, nem abelhas ou provou maçãs no escuro da sua vida. Tinha com todas as forças protegido o coração e, no meio deste hercúleo trabalho, perdeu as chaves. Com o desvão na cabeça, todas as palavras e vozes nunca ouvidas preencheram os espaços. Sussurram elas coisas que o quebravam – coração – em mil e um pedaços. De frente ao penhasco aberto em seus pés, pulou. Voou. Fugiu pelo desvão montado na andorinha que um dia em segredo fez morada em seu braço.
"Voltemos à casinha. Não serias capaz de lá entrar hoje, curioso leitor; envelheceu, enegreceu, apodreceu, e o proprietário deitou-a abaixo para substituí-la por outra, três vezes maior, mas juro-te que muito menor que a primeira. O mundo era estreito para Alexandre; um desvão de telhado é o infinito para as andorinhas. Vê agora a neutralidade deste globo, que nos leva, através dos espaços, como uma lancha de náufragos, que vai dar à costa: dorme hoje um casal de virtudes no mesmo espaço de chão que sofreu um casal de pecados. Amanhã pode lá dormir um eclesiástico, depois um assassino, depois um ferreiro, depois um poeta, e todos abençoarão esse canto de Terra, que lhes deu algumas ilusões."
Memórias Póstumas de Brás Cubas por Machado de Assis.
5.19.2011
O mal desconhecido é o ovo...
The City in the Sea by Edgar Allan Poe
Lo! Death has reared himself a throne
In a strange city lying alone
Far down within the dim West,
Where the good and the bad and the worst and the best
Have gone to their eternal rest.
There shrines and palaces and towers
(Time-eaten towers that tremble not!)
Resemble nothing that is ours.
Around, by lifting winds forgot,
Resignedly beneath the sky
The melancholy waters lie.
No rays from the holy heaven come down
On the long night-time of that town;
But light from out the lurid sea
Streams up the turrets silently —
Gleams up the pinnacles far and free —
Up domes — up spires — up kingly halls —
Up fanes — up Babylon-like walls —
Up shadowy long-forgotten bowers
Of sculptured ivy and stone flowers —
Up many and many a marvelous shrine
Whose wreathéd friezes intertwine
The viol, the violet, and the vine.
So blend the turrets and shadows there
That all seem pendulous in the air,
While from a proud tower in the town
Death looks gigantically down.
There open fanes and gaping graves
Yawn level with the luminous waves;
But not the riches there that lie
In each idol's diamond eye —
Not the gaily-jeweled dead
Tempt the waters from their bed;
For no ripples curl, alas!
Along that wilderness of glass —
No swellings tell that winds may be
Upon some far-off happier sea —
No heavings hint that winds have been
On seas less hideously serene.
But lo, a stir is in the air!
The wave — there is a movement there!
As if the towers had thrust aside,
In slightly sinking, the dull tide —
As if their tops had feebly given
A void within the filmy Heaven.
The waves have now a redder glow —
The hours are breathing faint and low —
And when, amid no earthly moans,
Down, down that town shall settle hence,
Hell, rising from a thousand thrones,
Shall do it reverence.
4.21.2011
Qual é a música No.1

Caros leitores amigos, o post de hoje é para dividir a trilha sonora do meu dia-a-dia aqui em Estocolmo. Escolhi onze (sim, onze, porque adoro número primo e ímpar) músicas entre tantas outras que encurtam as distâncias entre minha casa e a universidade, confortam quando sinto saudades e embalam minhas reboladas secretas sozinho no elevador. Trilha sonoras dos meus maiores segredos. A lista de hoje tem dobradinha com Adele:
Dance With Somebody (unplugged) by Mando Diao
Someone Like You by Adele
Daniel by Bat For Lashes
After Hours by We Are Scientists
I’m Into Something Good by The Bird and the Bee
Books From Boxes by Maxïmo Park
Beautiful Song by CSS
A Billion Balconies Facing The Sun by Maniac Street Preachers
Chelsea Dagger by The Fratellis
Record Collection by Mark Ronson & The Business Intl.
Rolling In The Deep by Adele
3.05.2011
Vida torta
Tenho uma relação de cumplicidade entre memória e comida. Sei que não sou o único, muito menos o último ao relatar gostos e doces lembranças. Hoje acordei com sabores da infância na cabeça. Senti o cheiro da pizza de sardinha que estava presente sempre em aniversários, o famoso bolo de abacaxi da minha mãe, o rocambole de chocolate da Ducildes. Este último perdido para sempre. Com a saudade na porta, resolvi assar uma torta de atum. Coisa simples, barata e carregada de pedaços vividos. A receita é fácil. Os ingredientes são 3 ovos, 2 xícaras de leite,1 xícara de óleo, 4 colheres de queijo parmesão, 1 colher de sal, 2½ xícaras de farinha de trigo,1 colher de sopa de fermento em pó e a estrela do dia, 2 latas de atum. Bater no liquidificador ou a mão os ovos, leite, óleo, queijo e acrescente a farinha e o fermento aos poucos. Eu misturei no óleo de canola, azeite. Com atum, juntei cebolas roxas picadas e pedaços de pimentos grelhados e conservados em azeite. Depois, é só colocar metade da massa na forma, cobrir com o recheio de atum - ou outro qualquer que preferir - e por cima, voilá, a outra metade da massa. Levar ao forno até dourar. O resultado está ai na imagem. Em breve, ela também vai virar memória.
Para sobremesa preparei o famoso “Segura Marido” da minha mãe. A receita é mais simples que o da torta de atum. Para os ingredientes 3 ovos, 1 lata de leite condensado, 1 litro de leite, 3 colheres de maizena, ½ fava de baunilha, 6 colheres de açúcar, frutas vermelhas da estação ou congeladas, 4 colheres de suco de laranja ou, se preferir como eu, vinho. Separe as gemas das clara e reserve as últimas. Nas gemas adicione o leite condensado, a fava de baunilha aberta e ¾ do litro de leite. Leve ao fogo, lembre-se de sempre mexer a mistura para não grudar no fundo. No restante do leite, acrescente a maizena e junte-o a panela com a mistura quente aos poucos e sempre mexendo para não encaroçar. Cozinhe até virar um creme, retire a fava de baunilha e coloque o resultado em uma vasilha que possa ir ao forno. Ao mesmo tempo, cozinhe as frutas com o suco/vinho para fazer a calda, não é necessário cozinhar muito. Com a calda, cubra o creme de baunilha. Não use todo o líquido, caso a calda fique muito aguada. Queremos o máximo de polpa e o mínimo de suco. A acidez da calda quebra o doce do creme, perfeito casamento de sabores. Agora chegou a vez das claras reservadas, que devem ser batidas até ficarem em ponto de neve. Acrescente o açúcar e rebata para virar suspiro. Cubra a combinação de creme e calda com o suspiro e coloque no forno (160 graus celsius) até o suspiro dourar e bom proveito querido leitor amigo.

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