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11.08.2015

Quem Kern amar?

Pegou a agulha e sofreu para colocar a linha - sinal da idade, brincadeira do tempo ou mero cansaço. Com maestria de alfaiate começou a costurar. Fechar aberturas, juntar partes, chulear e dar pontos. Começou pelo mais exposto. Começou costurando a vagina com o ímpeto de amor pleno. Alinhavou e selou. Depois a boca, os olhos e todo e qualquer orifício que pudesse ser saída. Ele quis nela prender a maior das irracionalidades, o amor.

Palavras
roubadasinspiradas por Richard Kern e Reinchenbach e dedicadas ao amor que mata de Ivana Debértolis.

4.04.2014

Lorca da vida

"Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem de minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do Zodíaco." Eu, de agora em diante, abri mão de peixes e suas profundezas, abri mão de gêmeos com toda a sua dubiedade e de muitos outros. Quero só libra com ascende em escorpião e lua em áries. Me descobri em um fragmento roubado e agora tatuado n'alma de "Memórias de Minhas Putas Tristes", obra escrita por Gabriel García Márquez. Sempre uma surpresa encontrar-se inteiro em pedaços dos outros. Ser o alheio. Porém é com Federico García Lorca que me reinvento, me descrevo e me apresento. "Deixaria neste [blog] livro toda minha alma. Este livro que viu as paisagens comigo e viveu horas santas.Que pena dos livros que nos enchem as mãos de rosas e de estrelas e lentamente passam !" 

Hoje estou
louco
Lorca da vida.


Picture by Ivana Debértolis

2.17.2014

Bishop to the Queen

“The art of losing isn’t hard to master; 
/ so many things seem filled with the intent / to be lost that their loss is no disaster.” 

Elizabeth Bishop


10.20.2013

5 10 15

THERE is a word 
Which bears a sword
Can pierce an armed man. 
 It hurls its barbed syllables,— 
At once is mute again. 
But where it fell 
The saved will tell 
On patriotic day, 
Some epauletted brother 
Gave his breath away. 
Wherever runs the breathless sun, 
Wherever roams the day, 
There is its noiseless onset, 
There is its victory! 
Behold the keenest marksman! 
The most accomplished shot! 
Time’s sublimest target 
Is a soul “forgot”!

Emily Dickinson


12.04.2012

Revisar

Vago pelo mundo como um Hamlet sem Horatio. Pisando em sonhos, gritando loucuras, caçando fantasmas, vivendo traições, procurando culpados e seguindo sem entender-me. Por onde andará Horatio, o arauto da verdade? Onde está aquele que nunca foi escravo da paixão? Grandes perguntas e nenhuma resposta. Sem ser entendido sigo.


8.04.2012

Palavras de bebado....


Hope is a thing 

 Hope is the thing with feathers
That perches in the soul, 
And sings the tune without the words, 
And never stops at all, 
 And sweetest in the gale is heard; 
And sore must be the storm 
That could abash the little bird 
That kept so many warm.
 I've heard it in the chillest land, 
And on the strangest sea; 
Yet, never, in extremity, 
It asked a crumb of me. 

Emily Dickinson

7.13.2012

Byroniano


That man of loneliness and mystery, 
Scarce seen to smile, and seldom heard to sigh —

and 

He knew himself a villain — but he deem'd 
The rest no better than the thing he seem'd; 
And scorn'd the best as hypocrites who hid 
Those deeds the bolder spirit plainly did. 
He knew himself detested, but he knew 
The hearts that loath'd him, crouch'd and dreaded too. 
Lone, wild, and strange, he stood alike exempt 
From all affection and from all contempt

Fragmento extraído do poema The Corsair escrito por Lord Byron em 1814.

8.18.2011

Vero, verdade. Veríssimo


TU e EU

Somos diferentes, tu e eu.
Tens forma e graça
e a sabedoria de só saber crescer
até dar pé.
E não sei onde quero chegar
e só sirvo para uma coisa
- que não sei qual é!
És de outra pipa
e eu de um cripto.
Tulipa
Eucalipto.

Gostas de um som tempestade
roque lenha
muito heavy
Prefiro o barroco italiano
e dos alemães
o mais leve.
És vidrada no Lobão
eu sou mais albônico.
Tufão.
Eufônico.

És suculenta
e selvagem
como uma fruta do trópico
Eu já sequei
e me resignei
como um socialista utópico.
Tu não tens nada de mim
eu não tenho nada teu.
Tupiniquim.
Europeu.

Gostas daquelas festas
que começam mal e terminam pior.
Gosto de graves rituais
em que sou pertinente
e, ao mesmo tempo, o prior.
Tu és um corpo e eu um vulto,
és uma miss, eu um místico.
Tumulto.
Eucarístico.

És colorida,
um pouco aérea,
e só pensas em ti.
Sou meio cinzento,
algo rasteiro,
e só penso em Pi.
Somos cada um de um pano
uma sã e o outro insano.
Tucano.
Euclidiano.

Dizes na cara
o que te vem a cabeça
com coragem e ânimo.
Hesito entre duas palavras,
escolho uma terceira
e no fim digo o sinônimo.
Tu não temes o engano
enquanto eu cismo.
Tutano.
Eufemismo.

6.25.2011

Eu azul por você vermelho



"era grande, o que o permitia estar sempre em mais de um lugar ao mesmo tempo. talvez pudesse aproveitar, mas o fato é que tal característica mais o incomodava do que trazia benefícios. era abastado de sentimentos diversos e tinha grande dificuldade em fazer escolhas, uma vez que possuía todas elas dentro de si. era sempre visto como um afortunado ou um covarde, quando na verdade não era nem um nem outro. ocupava o mundo todo, conhecia os sete lados e perdia-se irreversivelmente na imensidão de possibilidades. esforçava-se como podia para satisfazer-se em meio a toda sorte de ofertas que lhe chegavam sem que houvesse pedido. ser grande era assim: de um lado dormia, de outro acordava. sonhava com o paraíso. queria ser mágico e saber mentir, porém vivia todo o tempo num presente feito de passado que nem chegava a conhecer, pois, quase sempre, chegava com algum atraso em seu próprio outro lado. perdia muito tempo tentando entender-se e encontrar uma maneira mais igual de ser. era delicado demais para lidar com questões tão urgentes e simultâneas. por ser azul algumas vezes misturava-se ao céu e passava um tempo por lá, camuflado, na busca de um descanso passageiro. sentia uma inveja triste dos seres minúsculos e aparentemente insignificantes. o que complicava era que sabia de sua própria insignificância, não se sentia útil e muito menos um herói como fazia acreditar seu tamanho terrível. é claro que pensava na morte como solução imediata, mas a realidade é que lhe faltava coragem para o fim. era um gigante sem finalidade. nada cabia nem servia, embora parecesse o contrário. tudo faltava ou era demais. quando chorava, chovia; portanto tentava controlar emoções extremas, o que, devido à situação, exigia grande esforço e ar puro. conhecia as vantagens, mas, ainda assim, se pudesse escolher, preferia ter uma vida normal e idiota como a da maioria. mas era tarde, já haviam escolhido por ele e era tarde. era amoroso demais pro seu tamanho, não combinava, aliás, nada combinava, porque era, literalmente, feito de vários pedaços e restos e começos e histórias esquecidas ou ainda não contadas. era em si mesmo o seu mapa e sua terra, tinha inferno e céu próprios. só lhe faltava o paraíso." Texto e foto por Ivana Debértolis.

6.01.2011

Oi, pode me ajudar? Mudar para Inovar


Queridos
leitores
amigos, em especial um entre vocês que conhece a língua morta, preciso de ajuda. Estou escrevendo um artigo, no qual eu vejo a promoção da bioenergia no contexto da união européia como um elemento de inovação para a industrial madereira no continente. Agora, qual o motivo que me leva a pedir por socorro? Então, eu como sempre tenho títulos nada convencionais para os meus textos acadêmicos. Por exemplo, na última conferência mundial sobre energia renovável, apresentei um texto sobre a percepção do setor florestal europeu à crescente promoção da bioenergia na região. O título, Is Bioenergy the Big Bad Wolf in the forestry sector? Seguindo esta linha o meu novo título é baseado na expressão supostamente cunhada por Julio César – Veni, Vidi, Vici. No lugar de vim, vi, venci; eu procuro escrever, vim, vi, inovei. Eu sei que não estou criando nada novo. A Apple usou a mesma expressão – vim, vi, codifiquei – no passado e fez até camisetas com Veni, Vidi, Codi para serem distribuídas em uma conferência de produtos eletrônicos. O meu título atual é: Veni, Vidi, Mutavi – Bioenergy promotion as a key element for innovation within the forestry industry. O resumo provisório diz: Bioenergy promotion has arrived to stay in the European Policy Agenda and its perception as a threat or opportunity will play a major role in the development of renewables in the continent. In a likely scenario of competition between bioenergy generation and production of other goods extracted from wood, rivalry between the forest-based biomass uses may lead to an increase in raw material and energy prices and competitiveness reduction of European companies, especially paper & pulp industries. Therefore, wood-based industries in the region will need to expand its infrastructure, markets and overall capacity in order to meet the terms of this new order. This means that innovation is going to be a key component in developing workable and viable production and operating systems using both established and new technologies. Dito tudo isto, o que eu quero é mudar Vim, Vi, Mudei para Vim, Vi, Inovei. Alguém?

5.19.2011

O mal desconhecido é o ovo...

The City in the Sea by Edgar Allan Poe

Lo! Death has reared himself a throne
In a strange city lying alone
Far down within the dim West,
Where the good and the bad and the worst and the best
Have gone to their eternal rest.
There shrines and palaces and towers
(Time-eaten towers that tremble not!)
Resemble nothing that is ours.
Around, by lifting winds forgot,
Resignedly beneath the sky
The melancholy waters lie.

No rays from the holy heaven come down
On the long night-time of that town;
But light from out the lurid sea
Streams up the turrets silently —
Gleams up the pinnacles far and free —
Up domes — up spires — up kingly halls —
Up fanes — up Babylon-like walls —
Up shadowy long-forgotten bowers
Of sculptured ivy and stone flowers —
Up many and many a marvelous shrine
Whose wreathéd friezes intertwine
The viol, the violet, and the vine.
So blend the turrets and shadows there
That all seem pendulous in the air,
While from a proud tower in the town
Death looks gigantically down.

There open fanes and gaping graves
Yawn level with the luminous waves;
But not the riches there that lie
In each idol's diamond eye —
Not the gaily-jeweled dead
Tempt the waters from their bed;
For no ripples curl, alas!
Along that wilderness of glass —
No swellings tell that winds may be
Upon some far-off happier sea —
No heavings hint that winds have been
On seas less hideously serene.

But lo, a stir is in the air!
The wave — there is a movement there!
As if the towers had thrust aside,
In slightly sinking, the dull tide —
As if their tops had feebly given
A void within the filmy Heaven.
The waves have now a redder glow —
The hours are breathing faint and low —
And when, amid no earthly moans,
Down, down that town shall settle hence,
Hell, rising from a thousand thrones,
Shall do it reverence.

12.19.2010

What kind of Economist are you?


"Arti" minha e idéia roubada daqui. E ai caro leitor amigo, qual é o seu tipo?

Na pesquisa de doutorado pela Unicamp eu digo que no mercado de hoje, o uso estratégico da cadeia de oferta está restrito à eficiência e/ou eficácia dos custos e na excelência em atendimento a clientes em busca do lucro e da vantagem competitiva. Logo, a pesquisa busca melhorar o uso estratégico destas cadeias, em particular, a utilização do conceito de Ecologia Industrial, na busca pela sustentabilidade socioambiental do processo de produção e consumo. O objetivo geral é investigar a integração entre o conceito Ecologia Industrial e a gestão estratégica das cadeias de oferta, uma vez que a sustentabilidade do desenvolvimento consiste em encontrar meios de produção, distribuição e consumo dos recursos existentes de forma mais coesiva, economicamente efetiva, ecologicamente viável, socialmente justa e territorialmente planejada. Deste primeiro doutorado, surgiu a idéia de colocar a teoria explorada na Unicamp em um caso prático. De lá vim parar aqui na Suécia e no Instituto Real de Tecnologia vou por para rodar o que criei no Brasil. Assim, minha pesquisa por aqui neste segundo doutorado virou Sustainable supply chains for bioenergy systems: In today’s market, the strategic use of energy flow management is restricted to cost effectiveness and excellence in customer service in pursuit of profit and competitive advantage. This research project seeks to improve the strategic use of these supply chains, in particular the use of the concept of sustainable supply chain management in order to reinforce the sustainability aspects of forest-based systems and to guarantee their multiple services in promoting sustainable development. Aqui sigo KeynesianDO o dia.

8.25.2010

Com que roupa...


"Dentro de um caixote ou dentro de um móvel de ébano precioso vou pôr a guardar as vestes da minha vida. As roupas azuis. E depois as vermelhas, as mais belas de todas. E a seguir as amarelas. E por fim de novo as azuis, mas muito mais desbotadas estas últimas do que as primeiras.Vou guardá-las devotamente e com muita tristeza. Quando vestir as roupas negras e quando morar dentro de uma casa negra, dentro de um quarto escuro, abrirei de vez em quando o móvel com alegria, com desejo e com desespero. Verei as roupas e lembrar-me-ei da grande festa - que será nesse momento de todo finda. De todo finda. Os móveis espalhados desordenadamente dentro das salas. Pratos e copos partidos no chão. Todas as velas gastas até ao fim. Todo o vinho bebido. Todos os convidados idos. Cansados alguns estarão completamente sozinhos, como eu, dentro de casas escuras - outros mais cansados terão ido dormir."

As palavras foram roubadas de Konstandinos Kavafis e escritas em Vestes. A imagem é de Leonilson, o maior em dizer em cores as verdades da minha cabeça do meu coração.

8.10.2010

Quero o amor que mata

"O PERIGO: minha intenção real é prosperar no que me é alheio, até que tudo se transforme num grande absurdo, numa história que perde seu começo e termina mal. o que realmente me interessa pode ser considerado capricho e vaidade sem futuro. admito que só mesmo o que não presta me tráz sentimentos vitais e calores que perduram por dias, alimentando vontades esburacadas. tenho me repetido, há muito tempo tenho me repetido, seja por palavras ou atos indisfarçáveis. mas preciso continuar, mesmo que o assunto seja o mesmo. os caminhos errados e efêmeros são os únicos capazes de aliviar meu cansaço eterno e triste. perdi uma parte importante no que diz respeito ao entendimento comum do que é nobre e certo. sou leal comigo, assumo máculas e pedaços perdidos que não fiz e nem faço questão de resgatar. quero o que se estraga e não dura, mas também desejo o interminável e para sempre. têm momentos em que penso que a calma e a estabilidade poderiam me preparar melhor e me trazer algum conforto. mas logo lembro que minhas escolhas deficientes são meu único privilégio numa vida que considero tola. pode soar como desespero, mas é só honestidade e insatisfação. não vou me reconhecer em nenhum outro caminho, mesmo este sendo o melhor pra quem me assiste e se lamenta por amor. o amor entrou em mim pela porta dos fundos e se alojou em meio a sujeira e a beleza que inventei existir. não vou tentar outras vias nem fabricar razões que não sejam as minhas próprias. sou amoral em relação aos sentimentos. amo, me sujo, odeio, me arrependo, amo de novo e não cumpro minhas promessas. não vou cumprir, mesmo que continue prometendo, e isto vai acontecer, não cumprirei. estarei sempre indo em direção ao que, em tese, não deveria me servir e que é justamente o que me serve. vou me enforcar para atender expectativas e depois vou viver de novo. existir não é justo. é mesmo muito perigoso ser feliz."

Palavras roubadas daqui e belamente escritas por Ivana Debértolis que é "existencialista com toda razão, só faz o que manda o seu coração..."

A imagem é de David LaChapelle e intitulada Orgy in still Maybach

7.28.2010

Lebenskrankheit

Era de mim mesmo que eu gostaria de me libertar. Era eu mesmo o obstáculo que busquei superar. Porém, fui incapaz de fazê-lo. Consegui apenas me enganar, fugir de mim mesmo e me esconder. Desnudado como sempre, sinceramente eu lhes conto queridos leitores amigos que nada neste mundo foi-me mais importante do que eu mesmo. Estar vivo, respirar, sentir, pensar e comer. O pensar sobre ser e estar eu mesmo acabou por me afastar de todos os outros, inclusive de mim. Ironia, me afastei de quem eu mais queria nesta existência encontrar. Corri por dentro da minha cabeça entre labirintos e no fim descobri que não existe nada neste mundo que eu conheça menos do que eu mesmo. Por isso, roubo palavras de Hesse para descrever a sombra que restou em mim. Me visto com as palavras de Dickinson e as grandes esperanças de Dickens. Assim, algum dia, vou me encontrar - solto no mudo - e dizer: "Muito prazer, faz muito tempo que lhe procuro". Gesundheit.

7.10.2010

Espelho

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade escrita por Álvaro de Campos de cor.
 Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer. Roubei palavras de Pessoa, personifiquei seus versos. Dei-lhes rosto, ossos, carne e sangue. Dei-lhes mãos para tocar a vida. Dei-lhes corpo para agir e seguir por ai desfazendo coisas, refazendo outras. Não me sinto mais o mesmo e não tenho mais irmandade com as coisas. 
Vou me desligando aos poucos. Os dias são como uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua não mais meus. São todos seus, seus feitos, suas palavras, suas fugas, seus erros, sua vida.
 De dentro da minha cabeça,
 uma flor desabrocha. Uma rosa de carne pulsa e cresce alimentando-se de sangue, sonhos e amores. Todos meus, nada seu. Numa sacudidela dos meus nervos, ela se abre. Num ranger dos meus dentes, ela pulsa. São os meus ossos na ida. São os seus enterrados. Eu, vou. Você, foi. Pelo espelho, enterro um outro eu de mim mesmo.


***

"Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.

Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,

E não tivesse mais irmandade com as coisas

Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua

A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada

De dentro da minha cabeça,

E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida."
Álvaro de Campos


7.08.2010

Palavras roubadas de amiga

"Deveríamos ter à mão, nos bolsos ou na bolsa, muitos tabletes de “sins”. Não só para sair distribuindo por aí, como balas para crianças, mas para chupar como pastilha, remedinho homeopático doce e inofensivo." Palavras roubadas daqui.

aqui tem mais do mesmo

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