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2.17.2015

A certeza dos outros

Céus! Sentia algo escapando pelas mãos. Sentia escapando por outros lugares também.  Nuns cantos escapava lentamente no inicio, noutros jorrava tudo aquilo que vivia nele.  Seu eu corria para fora feito água.  Enxurrada de vida. Tentou segurar o que era seu, prender dentro de si o rio que sonhou ser, era. Tentou até beber-se. Aforgar-se em si. Engolir tudo de volta, mas era tarde. Outros já o haviam bebido. Seu rio quase secou. Nem tudo se foi, apenas o suficiente para lhe causar falta.  Bocas sedentas beberam até secar sua nascente. Amava a liberdade das águas, amava a idéia de se achar rio. Amava a certeza de achar-se seu. Afinal, era seu sim todos os seus eus.  Seus e de ninguém mais. Este é o problema de amar coisas livres e muitas, são vivas e cheias de vontades e movimentos. Meandros. Muitos seus, outros não tanto. Muitos eus são seus porque assim o são, outros – aqueles secretos – nem tanto. Uns rios, outros leito seco esperando a chuva que nunca volta. Chão


10.14.2013

Ike Origami


Começou nos pés. Um dos dedos, o menor, dobrou-se. Numa profusão de ondas, a dobradura se espalhou pelo corpo. Dobrando e redobrando como um origami de gente. Aquilo que era foi-se, moldava-se, dobrava-se, redobrava-se e se entortava. Tudo o que era deixou de ser. Restou, apenas a tortura das linhas e a lembrança de ter sido um dia reto. 

 Imagem tirada da exposição Cosmic Surgery de Alma Haser

6.02.2013

Of clouds and clocks

Hoje, ouvi que não sei receber elogios. Ouvi que fujo de galanteios. Palavras que são verdades. Não me acho inteligente ou bonito. Nunca me achei isto ou aquilo. Enquadro-me entre os comuns, aqueles que passam ao lado e não deixam lembranças. Não marco território ou luto por espaços. Existo. Na contramão, ocupo espaço, falo alto e desenho na pele meus segredos. Não consigo dormir nas noites quentes de Estocolmo ...


4.28.2013

Lock the door tight

Boom boom boom baby....se até Jesus é DJ, por que não? Minha família já fazia arte, agora faz barulho...saudades do meu irmão-primo.

4.13.2013

And until death finds me, it's my life


I want to get shot and die a noble death. 
I want to get shot saving someone's life. 
I want to get shot because getting shot hurts. 
I want to get shot so that I can rest. 
My body can't affort my lifestyle anymore. 
I want to get shot because it's quick - and painful. 
I've had a good life. Few regrets. 
I just want a new scar to remind me of how lucky I am. 
I know I'm going go die. But death has to find me. 
And until death finds me, it's my life. 
What am I gonna do today? I don't know. 
As long as I don't get shot.
(Spoken Word, 2009)

4.01.2013

12.12.2012

A raposa e as uvas



Não existe sentimento menor que o meu. Só o seu. Não existem pensamentos mais tacanhos que os imaginados agora. Fel. Toda força da natureza desviada, enxurrada de maldizeres, dilúvio de execrações. Num altar o alvo e com dardos envenenados o consagro. Arranco os ex-votos das paredes. Retiro todas as bênçãos, coloco opróbrios, maldições. Para que nada nos una, que nada nos separe. Hoje, sou a antítese de Neruda.

10.15.2012

UNchained


Acorrentado. Preso em seus erros ele seguia. Arrastava correntes, carregava montanhas, movia mundos. Por vezes, Prometeu. Muitas outras, Atlas. Quilos e mais quilos, toneladas sobre os seus ombros. Vivia preso as promessas sussurradas. Todo dia puxava o fardo duro da existência. Nos seus pés os grilhões, nos seus ouvidos o barulho das amarras rangendo ao movimentar-se. Por fora correntes, cadeados, nós cegos, fechaduras, grilhões e todo o peso do mundo. Por dentro, asas ...

9.14.2012

Não vazio

Cercado e sozinho. Corre pelos dedos o tempo, os sonhos. A concretude das coisas e as certezas que delas deviam vir, não existem mais. Outono chegando, dias cada vez mais escuros e frios em Estocolmo. Cercado e sozinho. Não existe solidão maior do que o buraco no peito. Deste, porém, não sofro. Sou quebrado, mas não vazio. 


  Photobucket

8.20.2012

7.13.2012

Byroniano


That man of loneliness and mystery, 
Scarce seen to smile, and seldom heard to sigh —

and 

He knew himself a villain — but he deem'd 
The rest no better than the thing he seem'd; 
And scorn'd the best as hypocrites who hid 
Those deeds the bolder spirit plainly did. 
He knew himself detested, but he knew 
The hearts that loath'd him, crouch'd and dreaded too. 
Lone, wild, and strange, he stood alike exempt 
From all affection and from all contempt

Fragmento extraído do poema The Corsair escrito por Lord Byron em 1814.

6.26.2012

Onipresente

Eu sou assim, onipresente. Estou em todos os lugares, Death Star, Turquia. Sou Darth Vader ou Kadir Çermik. Consigo ser todos e ninguém. Não sou...



6.06.2012

Gilgamesh

Buscava sinais em tudo. Rezas, benções, promessas e penitências. Buscava que alguém lhe desse rumo. Buscava direção ou qualquer desculpa para continuar seguindo. Queria não questionar, queria apenas seguir. Aceitar quem era e o que tinha. Queria não pensar sobre coisas. Nunca pensar sobre o que perdeu e jamais sonhar com futuros impossíveis. Não queria ser responsável por coisas ou pessoas. Suas coisas, alguém que as assumisse. Sua culpa, deixou de ser dele. Passou para alguém. Sua glória, era de outrem. Sua certeza, vazio. Buscava um profeta, uma voz, um guia, uma mentira. Queria qualquer fé que lhe acalmasse o sangue e matasse todas vontades represadas por anos. Leu o horóscopo com a esperança de achar alguma resposta, amarrou os sapatos, colocou a velha mascara e partiu. Desta vez trancou a porta que sempre deixou aberta para o acaso. Trancou junto um leão, para por ele ser devorado dia e noite.

5.15.2012

Quem muito quer nada tem

Queria escrever sobre a felicidade, sobre sentimentos bons e coisas bobas. Amenidades do dia-a-dia, brincadeiras de crianças, placar do jogo e todas as outras coisas que passam batidas no correr das horas. Queria falar de amores, nunca de suas dores. Queria cantarolar nas ruas, beber com amigos, sonhar colorido, comer pipoca de arroz e tomar muito soverte. Queria comer besteiras, brigadeiros e todo chocolate do mundo. Queria nadar pelado, correr no mato e escalar montanhas. Queria abrir o peito, coçar o saco e não pensar mal de ninguém. Queira falar menos e escrever mais. Queria ajudar os outros. Queria fazer caridade, sorrir sempre e não ouvir fofocas. Queria não dever dinheiro, muito menos obrigação.  Queira saber perdoar. Queira ser menos rígido, especialmente consigo mesmo. Queria escrever sobre as plantas, colher flores e ter um cachorro ao lado. Queria não perder tempo. Queria gritar ao mundo palavras de incentivo, instigar carinhos nos outros e curar soluços. Ele, queria tudo que não fosse o agora. Queria o futuro e palavras de três letras. 

5.08.2012

And we'll run for our lives

Abriu os olhos. A claridade o cegava e o corpo coberto de orvalho pesava sobre o gramado verde. Levantou-se e começou a correr. Corria com a mesma intensidade com que correu no dia anterior. Corria com a mesma vontade com que correu todos os dias até hoje. Corria até desmaiar. Apagar, acordar e correr até novamente desvanecer. Não tinha escolha, tinha que correr. Corria por sua vida.

 

4.21.2010

Quem divulga amigo é ... No.5


Você está convidado para ir até o chão conosco neste sábado.

Mais faceiro que mosca em tampa de xarope é o grupo de convidados para comemoração do pré-aniversário de Cássio Wollmann no Bar do Netão.

A festa vai ser mais comprida que cuspe de bêbado e a proposta é deixar todos mais felizes que puta em dia de pagamento de quartel.

Então boraê colocar a sua melhor bombacha, segurar o seu guri ou convidar a sua prenda para o bailão do Cássio.

Esperamos você por lá e contamos com a presença de celebridades e figuras importantes na noitche!

ASS: Comissão de Eventos by Nêga, Sandrinha, iNSana e Halley.

aqui tem mais do mesmo

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