4.23.2010

Menos feio, menos pobre, menos burro...

Cruzou a rua como se fosse mais belo, mais rico, mais inteligente. Andou até o café e fez dele sua casa, sua sala de estar. Apagou os estranhos. Deixaram de existir apenas com a força da sua vontade e brincou de Deus ao redesenhar o mundo. Mudou as cores das coisas, os sabores dos pratos, os cheiros do dia. Sorriu sozinho, pensou no distante, esqueceu problemas, desenhou castelos e entre nuvens fez morada. Desceu ao chão, escreveu poemas, perdeu o telefone, enterrou alguém. Abriu portas, fechou outras e muitas outras estão por vir. Abertas ou fechadas virão. Dormiu no chão e pensou: “Tudo isso tem que ter um fim, um sentido. Tudo tem fim. Tudo tem sentido.”. Falou sobre a língua dos deuses, falou a língua dos anjos revelada por Camões, sonhou. Acordou, tomou chuva e ao longe ouviu: “ __ Cortem as cabeças!”. Assustou-se. Então, abaixou-se, fingiu de morto e esperou. De longe um gato sorria e cabeças rolavam. Passou por morto, secou por dentro. Renasceu. Do sonho despertou e dele brotou uma flor em seu peito. O grão – que era semente, se não mente – geminou, cresceu, proliferou em espiral até o céu azul com coração-nuvem e abriu-se em flor. Flor-coração. Passou um segundo fora de sua cabeça, uma eternidade dentro. Piscou, pegou seu café latte e sentou. Estava em casa, mesmo em meio a estranhos. Por fim, acabou por reler-se em Gabriel García Márquez... e descobriu-se mais feio, mais pobre e mais burro.



2 comentários:

Anônimo disse...

“Não sei para que é ter contentamento,
Se mais há de perder quem mais alcança”.
Luís de Camões

Ju disse...

Rum !
Vai ler o meu
http://www.lastfm.com.br/user/julijolie/journal/2010/04/24/3l714a_eles_n%C3%A3o_pensam_o_que_sou.?success=1

bj na bochecha !

aqui tem mais do mesmo

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